O QUE É?
Um Projeto. Autônomo, Independente, Projeto de Experimentações Cênicas.
Um Caminho que SE vai descobrindo pela Busca, pela Curiosidade, pela Dúvida, pela Insegurança, pelo Acúmulo de referências, de cotidianos, de corpos, de olhares.
Processo de conscientização de certezas, verdades e estruturas vivenciadas pelo "homem" até este momento da história, para um Desordenamento de suas ideias e corpos.
Estas estruturas estão em nossos corpos, comportamentos, hábitos, certezas, em nossas expressões.
São estruturas mortas. Fétidas. Falidas. Mentirosas.
Não as estudamos. Mas as conscientizamos em nós, em nossas histórias. E buscamos Expurgá-las de nossas existências.
Processo Natimorto é Processo de Exorcismo pelo Antropofagismo. De Descarrego pelo Extremismo. De Renascimento pela Exaustão.
Para Libertação de nossos Corpos sociais, espirituais e expressivos.
Busca.
Busca Curiosa, Inquieta, Nervosa, Atenta, Ansiosa, Consciente, Involuntária, Fundamentada, Surpresa. Assim mesmo. Contraditória.
Processo Natimorto é um Estágio.
Um Fio de Passagem.
Fio Esticado.
Fio Instável. Cortante. Longo. Armado sobre um alto e infinito precipício.
Uma fase entre o Reconhecimento que fazemos do Teatro, da Arte, até a Fase em que estaremos totalmente envoltos, mergulhados, dominados por seus Princípios, História e Desejos.
Nessa Fase-Estágio, Suspensos sobre este mínimo espaço de um Fio Esticado, vamos nos olhar no Espelho, vamos nos Buscar, nos Renunciar, Nos "Amar", nos Desconhecer, nos Rejeitar, nos Natimortar.
Para cada um desses Movimentos de Auto-Processo, o Espaço e seus Vazios, Silêncios e Mistérios, serão Sujos e Desequilibrados por Cenas, Gestos, Deslocamentos, Citações, Plágios, Apropriações, Roupas, Corpos, Pensamentos, Suor, Saliva, Excrementos, Banalidades, Obviedades, Repetições, Clichês, Incompreensões, Ofensas, Ataques, Violências, Estereótipos, Caricaturas, Gritos, Mau Teatro, Má Atuação, Exageros.
Serão Ocupados, Invadidos por nossos Corpos Falidos, Despreparados, Infantilizados, Angustiados, Traumatizados, Violentados, Desgastados.
Serão os nossos Corpos em todos os Lugares do Espaço. Espaços do lado de Quem Vê e do lado de Quem Faz. Seremos Todos, os que Veem e os que Fazem.
Esse Estágio não dará certo.
Não proporcionará bons espetáculos, boas atuações.
Não ganhará prêmios.
Não penetrará em dimensões profundas de humanos, ou de estruturas nenhuma.
Mas divertirá a muitos.
Os Gritos Ansiosos, os Corpos Suados que Correm pelo Espaço, Agonizam, serão divertimento aos que se juntam.
Eles vão rir. Vão extravasar.
Farão animados e eufóricos comentários na Pizzaria Pós-Teatro.
Para este Estágio Existencial chamado Processo Natimorto, tudo será Vômito, Violência, Busca, Erro, Ansiedade, Dor.
Existência Experimental.
Talvez descubramos alguma coisa com este Estágio.
Talvez algum Caminho se mostre, se faça, se projete.
Antes, é preciso Vivenciar os Caminhos Anteriores. Percorrê-los. Saboreá-los. Conhecê-los.
Antropofagizá-los.
Vomitá-los.
Para depois, Talvez, Repeti-los com alguma Sensação de "Verdade" e Apropriação.
Para depois, Talvez, Algum Outro Caminho se Mostre. Se Faça. Se Projete.
Esses Outros Caminhos, precisarão de Corpos e Existências esvaziadas de drama, psicologismos, de deuses, de religiões, de valores morais, instituições, de certezas.
Esses Outros Caminhos, demandarão Corpos-Terra,
Corpos-Água,
Corpos-Ar,
Corpos-Fogo.
Corpos-Corpos.
Aí... Quem sabe...
TEATRO ?!
ARTE ?!
Sigamos.
Natimorte Mo Nos.
Processe Mo Nos.



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